domingo, agosto 16, 2026
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Leonardo Boff e Cissa Guimarães emocionam público em debate sobre esperança e cuidado na FLA Araru 2026

Mediado pela jornalista Leilane Neubarth, encontro discutiu empatia, solidariedade, fé e os caminhos para transformar a sociedade

A tenda principal da Feira Literária de Araruama (FLA Araru) 2026 ficou completamente lotada neste domingo (16), na Praça Antônio Raposo, durante um encontro que reuniu reflexão, emoção e diálogo sobre os desafios do mundo contemporâneo.

O teólogo e escritor Leonardo Boff e a atriz e apresentadora Cissa Guimarães participaram do debate “O cuidado que transforma: empatia, solidariedade e esperança diante das crises ambientais e sociais”, mediado pela jornalista Leilane Neubarth.

Ao longo do encontro, Leilane conduziu perguntas e provocações que levaram os convidados a refletir sobre a capacidade humana de enfrentar crises sem perder a esperança, a fé e a disposição para transformar a realidade. O público acompanhou atentamente cada fala.

Esperança precisa se transformar em ação

Logo no início da conversa, Leonardo Boff destacou que, diante de um cenário marcado por crises sociais, ambientais e humanitárias, a esperança não pode ser abandonada. Para o teólogo, ela deve ser cultivada diariamente e convertida em atitude.

“A esperança é a única alternativa que temos. Precisamos manter a fé, o amor e, acima de tudo, não perder a esperança. Mas esperança não pode ser apenas uma espera. Ela precisa ser alimentada todos os dias.”

Boff também ressaltou que ter esperança não significa fechar os olhos diante das injustiças. Para ele, a indignação e a coragem fazem parte do processo de transformação da sociedade.

“A indignação e a coragem são irmãs da esperança. Quando nos indignamos diante daquilo que está errado, precisamos também encontrar coragem para agir.”

O teólogo falou ainda sobre a fé no ser humano e como os acontecimentos do mundo colocam essa confiança à prova. Ao citar guerras, desigualdades, fome e violência contra crianças, Boff defendeu a necessidade de recuperar a dimensão humana das relações.

“A nossa fé está sendo tentada. Quando vemos crianças morrendo e tantas pessoas sofrendo, somos colocados diante de uma pergunta muito profunda: ainda conseguimos acreditar no ser humano? É preciso resgatar essa dimensão humana, porque é ela que nos permite cuidar, ter compaixão e construir um mundo diferente.”

Em outro momento, Boff chamou a atenção para uma atitude aparentemente simples, mas que, segundo ele, tem se tornado cada vez mais rara: prestar verdadeira atenção ao outro.

“A atenção é uma forma rara de generosidade. Quando prestamos atenção ao outro, quando realmente escutamos e enxergamos quem está diante de nós, estamos dizendo que aquela pessoa importa. E isso é uma das formas mais profundas de cuidado.”

Cissa Guimarães: esperança também é uma escolha diária

Cissa Guimarães trouxe ao debate uma perspectiva marcada pela experiência humana e afetiva. Para ela, a esperança está profundamente ligada à fé e precisa ser alimentada todos os dias, inclusive quando as circunstâncias parecem apontar para o contrário.

“A esperança caminha muito com a fé. E a gente precisa alimentar essa esperança todos os dias, porque não é possível viver apenas olhando para tudo aquilo que está dando errado. É preciso encontrar dentro da gente aquilo que ainda nos faz acreditar, continuar e fazer a nossa parte.”

A atriz e apresentadora também destacou que a transformação da sociedade começa dentro de cada pessoa e passa pela maneira como enxergamos e tratamos aqueles que estão ao nosso redor.

Para Cissa, não permitir que o outro se torne invisível é uma forma concreta de exercer empatia.

“A gente precisa trabalhar dentro da gente para alimentar a esperança. Não podemos invisibilizar o outro. Às vezes, o que alguém precisa é simplesmente ser visto, ser ouvido, ser reconhecido. E talvez a pergunta mais importante seja: ‘O que eu posso fazer para me tornar uma pessoa melhor?’”

Diálogo e comunicação como instrumentos de transformação

A importância do diálogo e da comunicação também esteve entre os assuntos abordados no encontro. Os convidados destacaram essas ferramentas como caminhos para aproximar pessoas e fortalecer uma cultura de solidariedade.

Leonardo Boff defendeu que romper as barreiras que impedem o encontro e a comunicação é fundamental para construir relações mais humanas.

“Quando conseguimos tirar as barreiras da comunicação, quando deixamos de olhar o outro como alguém distante e passamos a dialogar, conseguimos fazer avançar a cultura do bem.”

Ao longo da conversa, Cissa e Boff reforçaram que esperança não significa ignorar as dificuldades, mas encontrar forças para enfrentá-las.

Para Boff, a própria existência carrega uma capacidade de resistência que não deve ser subestimada.

“A vida é mais forte que todas as ameaças contra ela.”

Bênção encerra encontro sob aplausos

O encontro terminou com um dos momentos mais emocionantes da programação. Diante da tenda lotada, Leonardo Boff fez uma bênção ao público, reforçando uma mensagem de amor, fé e esperança.

O gesto encerrou uma tarde marcada por reflexões sobre empatia, solidariedade, cuidado e responsabilidade coletiva.

A resposta veio em forma de aplausos. De pé, o público celebrou Leonardo Boff, Cissa Guimarães e Leilane Neubarth, encerrando um dos grandes momentos da programação da 5ª edição da FLA Araru.

Neste domingo, a Praça Antônio Raposo se transformou em espaço de encontro entre literatura, pensamento e diálogo, reafirmando a proposta da feira de aproximar o público de debates que ultrapassam os livros e alcançam questões fundamentais da sociedade contemporânea.

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