Coluna Fala Célio
Araruama se despediu, nesta terça-feira, 22 de setembro, do jornalista Léo Anelhe. Major reformado do Exército Brasileiro, ele escolheu a cidade para exercer o jornalismo e fez da política local sua principal pauta. Apurava, ouvia fontes e escrevia com a firmeza de quem sabia que uma notícia podia provocar debate.
Conheci Léo no jornal A Voz, onde escrevia sua coluna política. Naquele tempo, parte da pauta começava antes mesmo de chegarmos à redação. A padaria da esquina do antigo Banerj era ponto de encontro de jornalistas, políticos, bancários, comerciantes, professores, pescadores, mecânicos, aposentados e trabalhadores da Telerj e da Cerj. Na chamada “Boca Maldita”, ouvíamos de tudo. Depois do café da manhã, cada jornalista seguia para escrever o que havia apurado.
Léo participou daquele período fértil do jornalismo impresso de Araruama. No fim da década de 1990, criou o jornal Rota do Sol, dando continuidade ao trabalho que acompanhávamos nas bancas e nas conversas pela cidade. Tive o prazer de conviver com esse velho lobo do jornalismo e de testemunhar sua dedicação à profissão.
Em 2010, a Editora Hora Certa publicou seu livro Todas as cores da política de Araruama. Nele, Léo reuniu reflexões sobre os prefeitos, a política, a economia e a vida jornalística do município, além de episódios e curiosidades que ajudam a contar a história local. Também teve atuação partidária no PSB de Araruama.
Outros colegas recordaram facetas de sua trajetória. O jornalista Aurélio Lemos destacou a generosidade com que Léo o ajudou quando preparava o lançamento do Jornal Lemos. Lembrou ainda sua passagem pela redação de O Carapeba e pelo programa Subterrâneos da Política, apresentado na AraruTV. Já Raphael Gonçalves ressaltou seu trabalho na rádio Mar Aberto FM, em Praia Seca, onde idealizou o projeto Escola de Rádio para jovens comunicadores, e sua participação no Rotary Club de Araruama.
Cada homenagem traz uma lembrança diferente, mas todas falam de um homem presente na vida pública da cidade e disposto a compartilhar sua experiência. Léo deixa a esposa, Nina Cavalcanti, familiares, amigos, leitores e colegas que dividiram com ele a apuração, o fechamento de uma edição ou uma conversa sobre os rumos de Araruama.
Guardo especialmente a imagem da padaria cheia, das notícias ainda por confirmar e de Léo pronto para mais um dia de trabalho. Vá com Deus, amigo de labuta. Você lutou um bom combate.
Foto: William Brasil
Celio, Marola, Léo Anelhe, Nina, Jandir e Paulo


