terça-feira, janeiro 13, 2026
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BRICS+ no Rio: um novo horizonte para a geopolítica global sob o olhar do jornalismo independente

Cúpula reuniu 11 membros titulares e debateu multilateralismo, nova ordem financeira, uso da inteligência artificial e papel da mídia na construção de um mundo multipolar

A Cúpula dos Chefes de Estado do BRICS+, encerrada nesta segunda-feira (7) no Rio de Janeiro, não foi apenas um encontro de líderes mundiais. Foi também um sinal claro de que há uma disputa de narrativas em curso – e que o jornalismo independente precisa ocupar com firmeza esse campo. Com a presença de 11 países-membros e representantes de mais de 10 nações convidadas, o evento consolidou o BRICS como uma alternativa concreta à ordem geopolítica tradicional, desafiando estruturas fundadas no pós-guerra que ainda hoje concentram poder em poucas mãos.

Durante a coletiva de imprensa de encerramento, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi categórico: “O BRICS é um novo jeito de fazer o multilateralismo sobreviver no mundo. A gente não quer mais um mundo tutelado”. A declaração resume o espírito do encontro, que teve como eixo central a defesa de uma governança global mais democrática, representativa e voltada ao desenvolvimento.

Para jornalistas e comunicadores críticos, o evento lança luz sobre temas urgentes como a concentração midiática, o monopólio das narrativas e a necessidade de construir redes de informação que reflitam as realidades do Sul Global. “Quando a imprensa hegemônica trata encontros como esse de forma marginal ou superficial, o papel do jornalismo independente se torna ainda mais decisivo: contextualizar, aprofundar e dar voz aos países e povos que estão à margem dos grandes conglomerados de mídia”, afirma João Augusto Erthal, editor executivo do Toda Palavra e entusiasta da cobertura alternativa.

Uma nova ordem: menos FMI, mais cooperação

O debate sobre o sistema financeiro internacional foi destaque. Lula criticou abertamente a atuação do Fundo Monetário Internacional, acusando o modelo atual de endividar nações em vez de promovê-las. Para ele, o Novo Banco de Desenvolvimento (NBD), presidido por Dilma Rousseff, representa um embrião de uma nova arquitetura financeira solidária, capaz de atender às demandas reais dos países em desenvolvimento.

Esse posicionamento ecoa em muitas redações independentes que já vêm denunciando os impactos das políticas de austeridade impostas pelo FMI em países da América Latina, África e Ásia. Para esses veículos, o BRICS+ pode representar não apenas uma nova instância política, mas uma oportunidade histórica de descentralizar a produção de informação econômica e financeira.

Multilateralismo e reforma da ONU

Outro ponto central foi a crítica à paralisia da ONU diante dos conflitos globais. “A ONU deveria estar coordenando a paz, mas está envolvida nas guerras. É por isso que reivindicamos uma mudança na governança mundial”, disse Lula. A proposta de ampliar a participação de países do Oriente Médio, África e América Latina no Conselho de Segurança vem ganhando força – e sendo ignorada por grandes agências de notícias ocidentais.

Para o jornalismo independente, essa demanda por representatividade conecta-se diretamente à própria lógica de comunicação: quem fala, por quem e para quem. “O jornalismo que serve à multipolaridade precisa também lutar por um ecossistema midiático plural, descentralizado e cooperativo”, defende Erthal.

Inteligência artificial e soberania digital

Em um momento de crescente uso da inteligência artificial, os países do BRICS+ discutiram a necessidade de democratizar o acesso a essa tecnologia. Lula defendeu que a IA não seja controlada por um pequeno grupo de empresas, afirmando que os dados não podem ser instrumento de dominação. Para o campo progressista da mídia, isso é uma questão de soberania: quem controla os dados, controla o discurso.

O papel da mídia alternativa no novo mundo

O BRICS+ não é apenas um bloco econômico ou diplomático. Ele também se tornou um símbolo de disputa simbólica e narrativa. Em um mundo em que grandes conglomerados de mídia seguem alinhados a interesses financeiros e militares, o jornalismo independente aparece como peça-chave na construção de um novo imaginário global – mais plural, mais justo e menos submisso ao olhar do Norte.

A cobertura da Cúpula no Rio mostra que essa imprensa alternativa pode e deve atuar como ponte entre os movimentos sociais, os projetos de soberania e os novos arranjos internacionais que se desenham. O desafio está em transformar essa cobertura em permanência, e não apenas em exceção.

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