A categoria petroleira do Norte Fluminense suspendeu, nesta terça-feira, a greve iniciada no último dia 15 em todas as bases do país. A decisão foi tomada em assembleia realizada no Teatro Municipal Trianon, em Campos dos Goytacazes, com aprovação do indicativo do Sindipetro-NF pelo encerramento do movimento e pela aceitação da mais recente contraproposta da Petrobras para o Acordo Coletivo de Trabalho.
Durante a assembleia, os trabalhadores também aprovaram a manutenção do Estado de Assembleia Permanente e do Estado de Greve, como forma de garantir o cumprimento, por parte da Petrobras, das cartas-compromisso encaminhadas ao sindicato. Foi aprovado ainda o desconto assistencial de 1% sobre o salário líquido, em três parcelas, destinado ao sindicato.
“A greve cumpriu o seu papel. Conseguimos, por meio dessa mobilização, reafirmar nossa independência política e sindical. Fizemos uma greve forte, consciente, entendendo que, independentemente do governo, temos um lado. É possível apoiar a democracia e, ao mesmo tempo, fazer greve quando a proposta da empresa não é suficiente”, afirmou o coordenador-geral do Sindipetro-NF, Sérgio Borges.
Cerca de 500 petroleiros participaram da assembleia, considerada a maior da categoria em 2025. O indicativo de suspensão da greve e aprovação do acordo recebeu 446 votos favoráveis, 43 contrários e 6 abstenções. Já o desconto assistencial foi aprovado com 467 votos favoráveis, 14 contrários e 14 abstenções.
A categoria acompanhou ainda uma apresentação sobre as conquistas do Acordo Coletivo nesta Campanha Reivindicatória, conduzida pelo economista do Dieese, Cloviomar Cararine. Segundo ele, a contraproposta da Petrobras trouxe avanços importantes, com 83 mudanças redacionais ou novos benefícios conquistados a partir da mobilização.
O assessor jurídico Normando Rodrigues apresentou um histórico das lutas jurídicas da categoria, especialmente aquelas relacionadas a Dissídios Coletivos, alternativa que se tornaria iminente caso a greve não fosse suspensa. De acordo com o advogado, negociações mediadas pelo Tribunal Superior do Trabalho costumam ser desfavoráveis aos trabalhadores e podem comprometer a manutenção das cláusulas históricas dos acordos.
Além de Sérgio Borges, compuseram a mesa que coordenou a assembleia os diretores sindicais Guilherme Cordeiro, Matheus Nogueira, Tezeu Bezerra e Antônio Carlos Alves, conhecido como Tonhão, além do assessor jurídico Normando Rodrigues.
A greve petroleira de 2025 entra para a história como uma das maiores já registradas pela categoria. Iniciada à 0h do dia 15, a paralisação durou 16 dias na base do Norte Fluminense, a última entre as representadas por entidades filiadas à Federação Única dos Petroleiros a suspender o movimento.
A força da mobilização foi destacada em diversas falas durante a assembleia. Já no segundo dia de greve, 100% das plataformas operadas pela Petrobras na Bacia de Campos haviam aderido ao movimento. Na base de Cabiúnas houve corte de rendição e realização de atos, enquanto nas bases de Imbetiba e do Parque de Tubos foram registradas adesões em setores isolados do administrativo.
Durante todos os dias de greve, centenas de trabalhadores se concentraram nas sedes do sindicato em Campos dos Goytacazes e Macaé. Nas primeiras horas da manhã, os grevistas se organizavam em grupos para realizar o trabalho de convencimento nas bases, no Heliporto do Farol e no Aeroporto de Macaé.





