O evento “Herança de Força” comemorou o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha em Araruama nesta sexta-feira (24). A iniciativa da Prefeitura de Araruama reuniu dezenas de mulheres negras da sociedade civil no Parque Hotel – Hotel Escola para um momento de reconhecimento, escuta e valorização de trajetórias que ajudam a construir a história do município.
Pescadoras, empreendedoras, artesãs, lideranças comunitárias e representantes de diversos segmentos receberam homenagens em reconhecimento às contribuições para o desenvolvimento de Araruama. O encontro também abriu espaço para a literatura e a representatividade feminina negra, com a participação de escritoras negras do município, entre elas a subsecretária municipal de Educação, Lilian Oliveira, que compartilhou reflexões sobre identidade, ancestralidade e pertencimento.
Entre as homenageadas, a artesã de biojoias Ana Clara Viegas destacou o significado da honraria.
“É um prazer imenso receber essa homenagem na cidade onde eu nasci e fui criada. Eu sinto que estamos vivendo um momento diferente em Araruama, onde pela primeira vez vejo uma valorização da mulher, principalmente da mulher negra. É um momento único. Valorização é tudo”, afirmou.
Alice Gabina, representante do Transviver, também falou sobre a emoção de ser reconhecida na cidade onde nasceu.
“O meu encontro com a mulheridade e com a negritude aconteceu relativamente tarde na minha trajetória. Foi quando saí de Araruama para estudar que passei a me entender como travesti e como pessoa negra. Voltar para a cidade onde eu nasci e ser abraçada dessa forma é uma emoção muito grande”, declarou.
A superintendente de Defesa da Mulher de Araruama, Marizete Ramos, destacou que a celebração representa um momento de reconhecimento às histórias de luta e resistência dessas mulheres.
“Foi um momento emblemático porque pudemos celebrar a força, a luta e a trajetória das mulheres negras da nossa cidade. Ouvir os depoimentos de cada uma delas foi emocionante. São histórias de superação que mostram o quanto elas enfrentaram para conquistar seus espaços. Hoje elas têm voz, podem se expressar e inspirar outras mulheres a seguirem lutando pelos seus ideais”, declarou a organizadora do evento.
A iniciativa contou com o apoio do Fórum de Mulheres Negras da Baixada Litorânea.


