terça-feira, janeiro 13, 2026
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Crítica: “A Lagoa e o Tempo” – Um elo entre memória, ofício e resistência

Em “A Lagoa e o Tempo”, o cineasta Célio Reginaldo Moreira Pimentel entrega não apenas um registro documental sobre a pesca artesanal na Região dos Lagos, mas também um retrato íntimo de pertencimento e herança cultural. A obra, que encerra uma trilogia iniciada há mais de quatro décadas, consegue o feito raro de ser, ao mesmo tempo, um documento histórico e um manifesto emocional.

O filme mergulha na rotina dos pescadores que vivem da Laguna de Araruama, valorizando a oralidade, os gestos repetidos, as mãos calejadas e as vozes que narram com orgulho – mas também com denúncia – as transformações sofridas pela lagoa e por quem dela depende. A fotografia de Raphael Boccanera captura com precisão tanto a beleza natural quanto os contrastes sociais que permeiam a região. Já a trilha sonora, assinada por Domingos Sergio e Marize Mizumoto, estabelece um clima de contemplação e resistência.

Entre os momentos mais marcantes, está a força simbólica das mulheres, que surgem como protagonistas da pesca no tempo presente – um avanço em relação aos registros anteriores da trilogia. A câmera acompanha de perto o trabalho delas nas redes, revelando uma nova configuração de protagonismo na atividade pesqueira.

Tecnicamente, o documentário é simples e direto, o que reforça a estética de verdade e proximidade com os personagens. Não há excessos narrativos nem recursos de linguagem que distanciem o público da realidade retratada. Pelo contrário: o tom sóbrio da montagem de Mariana Rosa e o som direto de Marcelo Sampa ajudam a manter a autenticidade das cenas.

O grande mérito de “A Lagoa e o Tempo” é sua capacidade de amarrar passado e presente com um fio condutor de resistência. Mais que um registro etnográfico, o filme é um ato de preservação da memória coletiva, num momento em que o próprio modo de vida retratado corre o risco de desaparecer.

Para os moradores da região, a obra funciona como um espelho de identidade. Para os de fora, é um convite à reflexão sobre os impactos ambientais, econômicos e sociais que moldam a vida em torno da maior laguna hipersalina da América Latina.

“A Lagoa e o Tempo” é, enfim, um documento necessário. Um filme que entende que a luta do pescador não é apenas por peixe: é por memória, dignidade e permanência.

FICHA TÉCNICA

Direção – Produção – Roteiro

Celio Reginaldo Moreira Pimentel

Direção de Fotografia – Câmera

Raphael Boccanera

Som Direto – Still – Assistente de Produção

Marcelo Sampa

Música Original

Domingos Sergio e Marize Mizumoto

Montagem e Edição

Mariana Rosa

Edição de Som

Mauricio Mizumoto

Argumento – Ato I

Luís Carlos Moreira “Calico”

Assistente de Produção

Raoni Pimentel Nobre

Participação

Luis Carlos Moreira “Calico”

Construtor de Barcos e Canoas |

Francisco Gomes Ramalho “Chico”

Construtor de Rede

Pescaria de Troia – Tripulação

Mestre: Lizeu Gomes

Caloeiro: Luis Carlos Moreira “Calico”

Proeiro: Francisco Gomes Ramalho “Chico”

Chubereiro: Antônio Fontes

Família Pescadora

Valcir e Esposa e o filho Micael

 

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