sábado, fevereiro 21, 2026
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Professor da UFAM e referência em agricultura familiar é executado no Amazonas

LUTO NA CIÊNCIA E NO CAMPO: Ele dedicou sua vida a estudar as abelhas nativas e ajudar pequenos produtores. Hoje, o Amazonas chora a perda do professor Davi Said Aidar, executado cruelmente na AM-010. O crime, sem sinais de roubo, acende um alerta gravíssimo sobre a “bomba atômica” da violência agrária e o avanço do latifúndio sobre quem produz e preserva a natureza.

” Davi Said Aidar, de 62 anos, foi morto a tiros por homens encapuzados na AM-010. Sem sinais de assalto, execução aponta para a escalada de violência nos conflitos agrários da região”.

Manaus, AM – O professor da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), Davi Said Aidar, de 62 anos, foi executado a tiros na Rodovia AM-010, na zona rural de Manaus. Reconhecido internacionalmente por suas pesquisas sobre agricultura familiar e apicultura, o professor foi vítima de uma emboscada. A hipótese de latrocínio (roubo seguido de morte) já foi descartada pelas autoridades, uma vez que os dois atiradores encapuzados fugiram do local sem levar nenhum pertence da vítima.

O avanço do latifúndio e a violência no campo

O trecho onde ocorreu o crime é amplamente conhecido como um “tradicional palco de conflitos agrários”, um território marcado pelo avanço da grilagem, tomadas de terras e atuação de pistoleiros. Para pesquisadores, lideranças e moradores da região, a execução tem contornos políticos e territoriais, estando diretamente ligada à expansão agressiva do latifúndio agroexportador.

Especialistas e movimentos sociais locais denunciam que o agronegócio de grande escala tem atuado como uma verdadeira “bomba atômica” contra os pequenos produtores. Há um temor crescente de que o Amazonas siga o mesmo caminho trágico de estados vizinhos como Rondônia e Pará. Nesses locais, a inércia do aparato repressivo do Estado tem sido conivente com o aumento das agressões a camponeses, indígenas e quilombolas, em áreas permeadas por violentas reintegrações de posse e ações de bandos armados que protegem os interesses das classes dominantes.

Um humanista dedicado à Amazônia

Descrito por colegas como um grande humanista, Davi Aidar dedicou sua vida ao estudo das abelhas nativas e ao fortalecimento da agricultura sustentável. O professor era “muito querido pela comunidade” e mantinha relações estreitas e colaborativas com as comunidades tradicionais da região amazônica.

Além de ter formado centenas de cientistas durante sua trajetória na UFAM, seu trabalho era considerado uma referência nacional para apicultores de todo o país. Para os que acompanhavam sua luta, o assassinato do professor não é apenas a perda de um brilhante acadêmico, mas mais um capítulo sangrento da violência no campo brasileiro, onde a vida daqueles que produzem e preservam a Amazônia continua na mira de grandes interesses econômicos.

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