Coluna Fala Célio | Jornal Hora Certa
Da Região Metropolitana às cidades do interior, resultado reúne municípios com perfis econômicos e sociais diferentes e abre debate sobre políticas públicas e participação popular
O segundo turno da eleição presidencial de 2026 mostrou um estado do Rio de Janeiro diverso nas urnas. Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi o candidato mais votado em 18 dos 92 municípios fluminenses, enquanto Flávio Bolsonaro (PL) liderou no conjunto do estado.
Entre as cidades em que Lula obteve maioria estão a capital, Niterói e municípios do interior com características econômicas e sociais distintas. Rio das Flores registrou o maior percentual para o presidente no estado: 63,77% dos votos válidos. Na sequência aparecem Valença, com 59,61%, e Laje do Muriaé, com 58,65%. Conexão Fluminense
A diversidade dessas cidades convida a olhar além do resultado eleitoral. Indicadores de desenvolvimento humano, produção agropecuária, acesso a serviços e condições de vida ajudam a conhecer a realidade de cada município e a discutir quais políticas públicas podem atender melhor à população.
Da cidade ao campo, desafios diferentes
Niterói e Rio das Flores ajudam a perceber essa diversidade. No indicador de desenvolvimento humano municipal, o IDHM, Niterói registrou 0,837, enquanto Rio das Flores apresentou 0,680, segundo os dados disponibilizados pelo IBGE.
Esses números têm uma limitação importante: ambos se referem a 2010. Eles permitem uma comparação histórica, mas não retratam, sozinhos, a situação atual dos municípios. O IDHM reúne dimensões relacionadas à renda, à educação e à longevidade; ele não mede diretamente a motivação do voto. IBGE
Já Valença, no Sul Fluminense, é um exemplo da presença da atividade rural entre os municípios que deram maioria a Lula. Segundo relatório da Emater-Rio, a cidade produziu aproximadamente 29,7 milhões de litros de leite em 2024. Rio Claro, também entre as 18 cidades, registrou cerca de 19,2 milhões de litros no mesmo ano. rj.gov.br
Para os produtores e trabalhadores do campo, temas como assistência técnica, crédito, estradas e acesso a mercados fazem parte do debate sobre desenvolvimento. Ao mesmo tempo, famílias das áreas urbanas e rurais compartilham preocupações com saúde, educação, renda e transporte.
O que os votos permitem dizer
As urnas mostram que Lula recebeu a maioria dos votos válidos nesses 18 municípios. Elas não informam, porém, por que cada pessoa escolheu seu candidato.
A defesa de políticas sociais pode ter sido importante para parte do eleitorado, assim como propostas para a economia, experiências anteriores com governos, atuação de lideranças locais e outros temas da campanha. Para medir o peso de cada fator, seriam necessárias pesquisas com eleitores e uma análise que também incluísse os municípios onde Lula não venceu.
Por isso, ter um IDHM mais alto ou mais baixo, ou uma produção agrícola expressiva, não basta para concluir que uma cidade votou de determinada forma por uma única razão. Os indicadores ajudam a levantar perguntas, que precisam ser investigadas.
Os 18 municípios
De acordo com o levantamento dos resultados do segundo turno, as cidades em que Lula foi o candidato mais votado foram: Rio das Flores, Valença, Laje do Muriaé, Comendador Levy Gasparian, Niterói, Miracema, Pinheiral, Porciúncula, Conceição de Macabu, Três Rios, Rio Claro, Barra do Piraí, Rio de Janeiro, Mendes, Carmo, Santa Maria Madalena, Piraí e Trajano de Moraes. conexaofluminense.com.br
Propostas claras e compromisso com a população
A eleição também reforça a importância de que candidatas e candidatos apresentem propostas compreensíveis: o que pretendem fazer, como financiar os projetos e de que maneira a população poderá acompanhar os resultados.
Um plano de governo claro permite que o eleitor conheça as prioridades de cada candidatura e, depois da eleição, cobre o cumprimento dos compromissos assumidos. Transparência, participação popular e acesso à informação são ferramentas para aproximar a administração pública das necessidades reais de cada território.
Conhecer os indicadores dos municípios é um passo nesse caminho. O próximo é ouvir as pessoas, examinar as diferenças entre as cidades e acompanhar se as políticas anunciadas chegam, de fato, a quem precisa.



