Coluna Fala Célio | Jornal Hora Certa
Da mobilização nas ruas aos canais digitais, a participação popular no Brasil chama a atenção de lideranças e movimentos de outros países
A reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), no dia 25 de outubro, ultrapassou as fronteiras brasileiras. Em países da América Latina e da Europa, lideranças políticas e movimentos sociais passaram a olhar para a mobilização que marcou o segundo turno no Brasil como uma experiência capaz de inspirar a defesa da democracia.
O gesto de formar a letra L com a mão, conhecido dos brasileiros desde outras campanhas presidenciais, apareceu em manifestações no exterior. Para muitos apoiadores, a letra representa Lula, mas também luta e liberdade.
Mais do que um gesto, o que chamou atenção foi a capacidade de mobilização de brasileiras e brasileiros que foram às ruas, conversaram com familiares e amigos e ocuparam as redes sociais para defender suas ideias.
Uma virada construída com participação
No primeiro turno, Lula recebeu 53.879.538 votos. No segundo, alcançou 64.256.232 votos, o equivalente a 51,79% dos votos válidos. Foram 10.376.694 votos a mais entre as duas etapas. Flávio Bolsonaro (PL) terminou o segundo turno com 59.826.041 votos, ou 48,21%. Eleitor Brasil
A abstenção também caiu. No segundo turno, 19,22% dos eleitores aptos não compareceram, um dos menores percentuais registrados em eleições presidenciais recentes. Portal da Câmara dos Deputados
Essa virada teve muitas mãos. Teve juventude nas ruas, idosos que fizeram questão de votar, trabalhadores, mulheres, artistas, estudantes e pessoas que decidiram participar da conversa política em seus bairros e comunidades.
Em Niterói, estudantes da Universidade Federal Fluminense estiveram entre os primeiros a realizar manifestações após o primeiro turno. Os atos se somaram a mobilizações em outras cidades do país, mostrando a disposição de uma parcela da sociedade de participar ativamente daquele momento. opostaldeniteroi.online
Não é possível atribuir o resultado a uma única iniciativa ou afirmar quantos votos cada mobilização conquistou. Mas a presença nas ruas e nas redes fez parte de uma campanha que conseguiu ampliar sua votação de forma expressiva.
O L atravessa fronteiras
Na Espanha, a ex-prefeita de Barcelona Ada Colau pediu que apoiadores fizessem o L durante um comício da Frente Ampla. Após a eleição brasileira, o primeiro-ministro espanhol Pedro Sánchez também saudou a vitória de Lula e a apresentou como inspiração para as forças progressistas de seu país. Folha
Na França, apoiadores da esquerda passaram a observar a experiência brasileira. Na Argentina, grupos políticos também buscaram referências na organização dos apoiadores de Lula. Em cada país, as disputas têm sua própria história e seus próprios desafios, mas a mensagem que circulou foi semelhante: a participação popular pode mudar o rumo de uma eleição. CNN Brasil
A repercussão foi além dos movimentos de esquerda. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral, manifestações oficiais e saudações ao resultado brasileiro foram registradas em 107 países. Essas mensagens tiveram conteúdos diferentes, mas demonstram a atenção internacional voltada para a eleição no Brasil. Tribunal Superior Eleitoral
A força da mobilização nas redes
Outro aspecto que ganhou repercussão foi o canal de WhatsApp “Exército do Lula”, organizado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG). Durante o segundo turno, o espaço reuniu milhões de seguidores e ajudou a distribuir conteúdos e a mobilizar apoiadores.
A experiência passou a ser observada e adaptada por grupos de outros países. Na Argentina, surgiu o “Ejército del Peronismo”; na França, apoiadores de Jean-Luc Mélenchon criaram um canal de mobilização; e, na Espanha, grupos ligados ao campo progressista também passaram a utilizar estratégias semelhantes. CNN Brasil
As ferramentas digitais podem ampliar o alcance de uma mensagem e aproximar pessoas em torno de uma causa. Essa força, porém, precisa caminhar junto com a responsabilidade de verificar informações e combater mentiras. Defender a democracia também significa respeitar os fatos e o direito de cada pessoa fazer sua escolha.
Uma tarefa que continua depois da eleição
A vitória nas urnas encerra uma etapa, mas não resolve, por si só, os problemas do país. Defender a democracia exige participação permanente, respeito às instituições, combate à desigualdade e compromisso com políticas públicas que melhorem a vida da população.
Saúde, educação, emprego, moradia, segurança e proteção dos direitos precisam continuar no centro do debate. E a população tem o direito de acompanhar, cobrar e participar das decisões, independentemente de em quem votou.
O exemplo que parte do Brasil é o de um povo que voltou a ocupar as ruas, dialogar e acreditar na força do voto. Se esse movimento inspira pessoas em outros países, ele também deixa uma responsabilidade para nós: transformar a esperança em participação e continuar trabalhando por um país mais justo e democrático.
Matéria baseada em notícia publicada pelo PT, com dados eleitorais do TSE e informações de veículos de imprensa.


