terça-feira, janeiro 13, 2026
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Brigitte Bardot, Búzios e o amor que ficou

Coluna | Fala, Celio: Brigitte passou por Búzios.

E quando digo passou, não falo de turismo. Falo de passagem no sentido mais profundo da palavra. Daquelas que deixam marcas, mudam rumos e atravessam o tempo.

Brigitte Bardot já era um fenômeno mundial no auge do cinema francês. Musa de uma geração inteira, símbolo de beleza, liberdade e inquietação. Um cinema que ainda se reinventava, que dialogava com nomes como Alain Delon e que transformava atores em mitos vivos.

Em janeiro de 1964, Bardot veio ao Brasil para o Festival de Cinema do Rio de Janeiro. Hospedou-se no Palace Hotel, cercada por flashes, curiosos e manchetes. Mas a fama nunca foi exatamente o lugar onde ela quis ficar. Foi então que partiu para Búzios, à época uma aldeia de pescadores, simples, silenciosa, quase invisível no mapa. Acompanhava-a um jogador do Flamengo que não era do futebol e nem brasileiro. Um detalhe curioso, quase simbólico, de uma mulher que nunca seguiu caminhos óbvios.

Em Búzios, Brigitte encontrou refúgio. Encontrou o mar sem plateia, os pescadores sem holofotes, a vida sem roteiro. Viveu ali dias de fuga da imprensa, mas também de encontro consigo mesma. Liberdade, paz e, quem sabe, amor.

Mas amor de quem? Para quem?

Talvez Brigitte nunca tenha sido amor de alguém apenas. Talvez tenha sido amor do mundo. Pela sua forma de existir, pela coragem de dizer não à indústria, pela escolha de sair de cena no auge. Anos depois, esse amor ganharia outro destino, quando ela passou a dedicar sua vida à defesa dos animais, encontrando neles uma forma mais pura de afeto.

Búzios nunca mais foi a mesma. A passagem de Bardot ajudou a transformar o vilarejo em balneário internacional, hoje visitado por transatlânticos e turistas do mundo inteiro. O cinema desenhou a paisagem. O amor virou memória urbana. O nome dela virou orla, virou símbolo, virou história.

Brigitte marcou o cinema.
O cinema marcou o século.
E Búzios ficou marcada para sempre.

Entre o glamour e o silêncio, entre a tela e o mar, Brigitte Bardot permanece eterna.
A atriz do amor.

Celio Pimentel
Jornal Hora Certa

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