A Prefeitura de Niterói apresentou, nesta quinta-feira (07), o planejamento estratégico “Niterói Que Queremos 2025-2050”, documento que estabelece metas e diretrizes para os próximos 25 anos da cidade. O lançamento aconteceu na Sala Nelson Pereira dos Santos, no Reserva Cultural, reunindo autoridades, representantes da sociedade civil e diversos setores da economia e da cultura do município.
Durante a apresentação, o prefeito Rodrigo Neves destacou que o plano aposta na inovação, sustentabilidade, mobilidade urbana, redução das desigualdades sociais e revitalização da região central como pilares para o futuro da cidade.
“Estamos construindo uma agenda de futuro para preparar Niterói para os próximos 25 anos, com prioridades muito claras: reduzir desigualdades, avançar na mobilidade sustentável, revitalizar o Centro, ampliar a qualidade de vida nas comunidades e fortalecer uma economia baseada no conhecimento, na tecnologia e na sustentabilidade. O nosso compromisso é transformar planejamento em ações concretas que melhorem a vida das pessoas”, afirmou o prefeito.
Segundo Rodrigo Neves, o novo plano dá continuidade à tradição de planejamento estratégico implantada em Niterói nos últimos anos.
“Esse plano olha para os próximos 25 anos e foi construído com metas muito objetivas de curto, médio e longo prazo. As ações previstas até 2028 já estão definidas e envolvem projetos estruturantes em áreas como mobilidade, inovação, sustentabilidade, urbanização das comunidades e qualidade de vida. Niterói mudou muito nos últimos dez anos, inclusive por causa do planejamento estratégico anterior e de tudo o que conseguimos realizar nesse período”, ressaltou.
Reviver Centro e a memória cultural da cidade
Entre os principais eixos do planejamento está o programa Reviver Centro, que prevê novos investimentos imobiliários, retrofit de prédios antigos, estímulo à moradia estudantil e fortalecimento de equipamentos públicos e culturais na região central de Niterói.
As obras de requalificação urbana já começaram e incluem melhorias no entorno da Avenida Amaral Peixoto, Rua da Conceição e áreas históricas do centro da cidade.
“A revitalização do Centro começou com entregas importantes, como o Mercado Municipal, a Casa Norival de Freitas, a nova Arena Niterói, a Concha Acústica e a nova Praça Arariboia. Agora vamos avançar ainda mais com a requalificação da Amaral Peixoto, da Rua da Conceição e de todo o entorno, resgatando o coração da cidade e valorizando nosso patrimônio histórico”, afirmou Rodrigo Neves.
Dentro desse debate sobre patrimônio e revitalização cultural, volta à cena um dos espaços mais simbólicos da memória artística da cidade: o antigo Teatro Leopoldo Fróes.
Um palco histórico da cultura niteroiense
O Teatro Leopoldo Fróes possui uma trajetória profundamente ligada à vida cultural e política de Niterói. Ainda na década de 1940, quando funcionava como Teatro Alvorada, o espaço já ocupava posição importante no cenário artístico da cidade.
Posteriormente, o imóvel foi arrendado pela Associação Recreativa Comércio e Navegação do Sindicato dos Operários Navais. Sob direção de Albino Santos, metalúrgico e desenhista, o teatro passou a abrigar apresentações culturais, encontros sindicais e intensa movimentação artística.
O protagonismo cultural do espaço acabou despertando a atenção dos órgãos de repressão da ditadura militar. Em 1973, o teatro foi fechado pelo DOPS.
Anos depois, a Prefeitura de Niterói retomou o espaço por meio do antigo Instituto Niteroiense de Desenvolvimento Cultural (INDC), transformando o Teatro Alvorada em Teatro Leopoldo Fróes, homenagem ao consagrado ator brasileiro Leopoldo Fróes.
A partir daquele período, o local viveu uma fase histórica. O teatro se transformou em um dos principais centros culturais do Estado do Rio de Janeiro, funcionando diariamente com apresentações de música, dança, teatro, recitais de poesia, festivais e cursos de formação artística.
O espaço revelou artistas, abrigou importantes festivais de teatro infantil e adulto e contou com a presença de nomes históricos como Paschoal Carlos Magno, além do apoio do jornal A Tribuna.
Ditadura, censura e resistência cultural
Entre os episódios mais marcantes da trajetória do Leopoldo Fróes está uma história que atravessou o período da ditadura militar e ganhou repercussão nacional.
Durante uma apresentação da companhia do ator Zé Gamela, que encenava uma peça sobre a vida de Cristo, um policial tentou entrar no teatro sem comprar ingresso. Após discussão com a bilheteria, retornou acompanhado de outros policiais.
Chamado para resolver a situação, Zé Gamela apareceu já caracterizado como Jesus Cristo. Pouco depois, ele, sua esposa Dety, caracterizada como Nossa Senhora, e todo o elenco acabaram presos em plena Avenida Amaral Peixoto.
O episódio ganhou destaque nacional e foi noticiado pelo tradicional Repórter Esso com a frase:
“Notícia extraordinária: acabam de ser presos, em plena Avenida Amaral Peixoto, em Niterói, Jesus Cristo e Nossa Senhora.”
O desafio de reconstruir um espaço para os artistas da cidade
Fechado desde os anos 1990, o Teatro Leopoldo Fróes passou por abandono, deterioração e chegou a sofrer incêndios. Diversos movimentos da sociedade civil tentaram impedir sua perda, entre eles o SOS Leopoldo Fróes.
Hoje, mesmo com uma das produções culturais mais ativas do Estado do Rio de Janeiro, Niterói ainda carece de um espaço público voltado prioritariamente aos artistas locais das artes cênicas e da música.
Estima-se que a cidade reúna cerca de 3 mil trabalhadores ligados ao teatro, além de dezenas de grupos culturais, companhias e centenas de músicos que movimentam a cena artística local.
A recuperação do Teatro Leopoldo Fróes surge, portanto, não apenas como preservação de patrimônio histórico, mas como possibilidade concreta de reconstrução de um espaço de ensaio, formação e apresentações culturais para a cidade.
O debate reaparece justamente no momento em que Niterói projeta o futuro e discute os caminhos para o desenvolvimento urbano, social e cultural das próximas décadas.
Texto com informações do artigo do jornalista, analista político e diretor de teatro Mário Sousa. texto do Mario Sousa “a tribuna”




