Fala Célio
A pauta que não consegui fazer
Conforme anunciou o jornal A Tribuna, faleceu o jornalista Jourdan Amóra, diretor da A TRIBUNA, um dos nomes mais importantes da imprensa fluminense. A notícia, difícil de ser escrita por quem sempre o admirou, reacende a lembrança de uma frase sua que se tornou quase um lema de vida:
“Enquanto houver cidade, haverá pauta. E enquanto houver pauta, haverá Tribuna.”
A frase resume com perfeição o espírito inquieto e persistente de Jourdan, que dedicou a vida à notícia e ao compromisso de registrar o tempo presente.
O jornalista tinha uma longa trajetória ligada à comunicação, à história e à vida cultural do Estado do Rio de Janeiro. Há anos, eu planejava entrevistá-lo para um documentário sobre o antigo ramal ferroviário que ligava Niterói a Cabo Frio. Jourdan havia me contado, em mais de uma conversa, que viajou nesse trem e chegou a servir no 1º GFAC – Grupo Ferroviário de Artilharia, um fato pouco conhecido de sua biografia.
Nos tornamos amigos depois que lhe presenteei com o livro Estrada de Ferro Maricá de minha autoria. Desde então, nossas conversas se tornaram longas e cheias de memórias. Conheci Jourdan há mais de trinta anos, ainda na antiga gráfica da Editora Esquema, no bairro Ponta da Areia, onde eu ia buscar exemplares do Jornal A Voz de Araruama que era rodado lá. Foi ali também que comecei a acompanhar de perto o trabalho da Tribuna.
Em 2005, quando fundei o Jornal Hora Certa, nosso contato se intensificou. Passei a conviver com Jourdan seus filhos Luis e Gustavo e sua equipe de produção gráfica, profissionais dedicados que mantêm A Tribuna viva com o mesmo propósito de sempre: seguir em frente, informando e registrando a história das cidades.
Entre as muitas pautas que conversamos, ficou uma que jamais consegui fazer. Além da sua lembrança militar, Jourdan guardava lembranças valiosas de Araruama, cidade que o inspirou a fundar, em 1959, o Costa do Sol – Jornal. Anos depois, em 1986, criou A Tribuna – Região dos Lagos, consolidando seu nome entre os grandes do jornalismo regional.
Mesmo que os arquivos e registros contem parte dessa história, a oralidade de Jourdan — seu jeito direto, sua memória viva e seu olhar crítico — nunca mais poderá ser recontada. A entrevista que aconteceria há quinze dias agora se torna apenas uma lembrança.
Aos filhos Gustavo e Luís Amóra, ficam os sentimentos pela perda recente dos pais, Eva e Jourdan. Ambos construíram, com dignidade e amor à imprensa, uma história que atravessa gerações.
Jourdan Amóra deixa um legado de resistência e compromisso com a verdade. Sua vida e sua obra continuam impressas nas rotativas, nas páginas e na memória da imprensa fluminense.
Jourdan Amóra, presente.





