Coluna Fala Célio | Jornal HORA CERTA
Segundo turno presidencial coloca em disputa projetos políticos e convida o eleitor a olhar além das telas
O Brasil chega neste domingo, 25 de outubro, ao segundo turno das eleições presidenciais de 2026. Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, e Flávio Bolsonaro, do PL, disputam a Presidência em um cenário que exige uma reflexão sobre os rumos do país e sobre as transformações da própria campanha eleitoral.
A disputa não acontece apenas nos comícios, nas ruas ou nos programas de rádio e televisão. Ela também ocupa a tela do celular, os grupos de mensagens e as plataformas digitais. Os algoritmos, que ajudam a determinar quais conteúdos chegam a cada pessoa, fazem parte desse ambiente. Mas seria simplificar demais atribuir somente a eles a decisão do voto: a experiência de vida, a renda, a religião, o trabalho e as expectativas de cada eleitor também pesam nessa escolha.
O que merece atenção é a velocidade com que informações, acusações e promessas circulam. Um vídeo de poucos segundos pode alcançar milhares de pessoas antes que seu contexto seja conhecido. Nesse ambiente, verificar a origem de uma informação e distinguir uma proposta de uma provocação são atitudes fundamentais para o exercício consciente do voto.
A campanha também coloca em discussão os limites da propaganda e a atuação da Justiça Eleitoral. Cabe ao Tribunal Superior Eleitoral, o TSE, e aos Tribunais Regionais Eleitorais, os TREs, atuar dentro de suas competências para assegurar o cumprimento das regras. A disputa política precisa conviver com a liberdade de expressão, o direito de resposta e o enfrentamento da desinformação.
No plano político, Lula e Flávio Bolsonaro representam campos com diferenças profundas. O PT reúne uma trajetória ligada à esquerda e às políticas sociais, enquanto o PL abriga o bolsonarismo e sua orientação à direita e à extrema direita. A presença desses dois candidatos no segundo turno evidencia a força dessa polarização. Isso, porém, não significa que o Brasil inteiro caiba em apenas dois grupos: há diferentes posições dentro da sociedade, e os partidos de centro continuam relevantes na negociação e na construção de maiorias.
Também é preciso olhar para o Congresso Nacional. A eleição presidencial define quem comandará o Executivo, mas a aprovação de leis, a discussão do orçamento e a fiscalização do governo passam pelos deputados e senadores. O voto para presidente integra uma estrutura democrática que depende de instituições, participação popular e diálogo.
Mais do que uma passagem do analógico para o digital, vivemos uma transformação na maneira de disputar a atenção e de construir o debate público. As ferramentas mudam, mas as necessidades da população continuam concretas: atendimento de saúde, educação pública, emprego, alimentação, moradia, segurança e dignidade.
As políticas públicas presentes no cotidiano não nasceram de uma postagem. São resultado de decisões políticas, mobilizações sociais e disputas democráticas construídas ao longo dos anos. Por isso, avaliar propostas e trajetórias é tão necessário quanto acompanhar o discurso de campanha.
Ao votar, cada cidadão participa da definição dos próximos quatro anos. Essa escolha merece ser feita com informação, responsabilidade e consciência de suas consequências para a vida coletiva.
O voto acontece na urna. Seus efeitos chegam à mesa, à escola, ao trabalho e à vida de cada brasileiro. Esse é o sentido da política: decidir, em sociedade, os caminhos do bem comum.


