segunda-feira, outubro 26, 2026
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Vitória de Lula reforça a força da mobilização popular nas ruas e nas redes

Coluna Fala Célio | Jornal HORA CERTA
Por Célio Pimentel

Reeleição abre uma nova etapa política e destaca o papel da comunicação digital na relação com a população

A vitória de Luiz Inácio Lula da Silva sobre Flávio Bolsonaro, neste domingo, 25 de outubro, assegura ao presidente seu quarto mandato e abre uma nova etapa na política brasileira. O resultado também deixa uma reflexão para partidos, lideranças e movimentos sociais: conversar com a população exige presença nas ruas, capacidade de ouvir e atuação organizada nas redes digitais.

Nesta coluna, a leitura é que a eleição mostrou a necessidade de aproximar a comunicação política da vida cotidiana. Não basta apresentar realizações ou divulgar propostas. É preciso explicar como as decisões de governo chegam à mesa das famílias, ao atendimento de saúde, à escola e ao trabalho. A informação precisa alcançar as pessoas em uma linguagem que elas compreendam e nos espaços em que estão.

Nesse cenário, o deputado André Janones ganhou destaque com o “Exército do Lula”, canal de WhatsApp utilizado para distribuir materiais de campanha e organizar a participação dos apoiadores. A iniciativa transformou o compartilhamento de conteúdos em uma ação coordenada, buscando ampliar a presença do presidente no ambiente digital e alcançar públicos além da militância tradicional.

Uma disputa que também chegou à Justiça Eleitoral

O crescimento do canal provocou questionamentos da campanha de Flávio Bolsonaro e decisões divergentes no Tribunal Superior Eleitoral. Após uma suspensão determinada pelo ministro Nunes Marques, o corregedor-geral eleitoral, Ricardo Villas Bôas Cueva, autorizou provisoriamente a retomada das atividades. Cueva considerou insuficientes os elementos apresentados para justificar o bloqueio integral e manteve a proibição de reproduzir conteúdos já considerados ilícitos.

Posteriormente, a campanha petista registrou o canal como instrumento oficial de propaganda eleitoral para atender às exigências estabelecidas pela presidência do TSE. Segundo o Congresso em Foco, a análise técnica mencionada na decisão não identificou, nas publicações examinadas entre 2 e 11 de outubro, a reprodução das afirmações anteriormente consideradas irregulares pela Justiça Eleitoral. Essa conclusão se refere ao material analisado naquele período.

O episódio expôs um debate que continuará depois da eleição: como fiscalizar conteúdos e responsabilizar eventuais irregularidades sem impedir a participação política legítima? A liberdade de mobilização e o dever de respeitar as regras precisam caminhar juntos.

Das telas para uma relação mais próxima com o povo

Após a vitória, Lula defendeu mudanças na maneira de governar, maior participação popular e uma comunicação mais direta com a sociedade. Também colocou a atuação das plataformas digitais entre os temas de seu discurso. A mensagem indica que a comunicação deverá ocupar espaço relevante no próximo mandato.

Seria precipitado, porém, atribuir o resultado a um único canal ou personagem. O número de inscritos não revela, por si só, quantos votos uma iniciativa produziu. A mobilização digital fez parte de uma campanha que também envolveu encontros presenciais, militância, alianças, propaganda e a avaliação de cada eleitor sobre os candidatos e o país.

O mérito político dessa experiência está em demonstrar o potencial de uma participação organizada. Compartilhar uma proposta, conversar com um vizinho e esclarecer uma informação podem integrar o mesmo esforço democrático. Para isso, a responsabilidade com a verdade deve acompanhar a vontade de participar.

Na avaliação desta coluna, a vitória de Lula traz também uma cobrança. A energia mobilizada para vencer precisa encontrar continuidade na escuta da população e na execução de políticas públicas. Quem foi às ruas, participou das redes e compareceu às urnas espera respostas para problemas concretos.

A eleição termina, mas a participação popular não deve terminar com ela. Apoiar um governo também significa acompanhar suas decisões, cobrar compromissos e defender os direitos da sociedade.

As redes ajudam a espalhar uma mensagem. É na vida do povo que um governo precisa mostrar seus resultados.

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