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ELEIÇÕES 2026 PT amplia representação feminina e negra, mas enfrentará Congresso de maioria conservadora

Partido elegeu 70 deputados federais e aumentou o número de mulheres em suas bancadas; Federação Brasil da Esperança terá 88 cadeiras na Câmara

As eleições realizadas no domingo (4) ampliaram a representação feminina e negra nas bancadas do Partido dos Trabalhadores, em um Congresso Nacional marcado pelo avanço das forças conservadoras.

O PT elegeu 70 deputados federais, seis a mais do que em 2022. Considerando também os parlamentares do PCdoB e do PV, a Federação Brasil da Esperança terá 88 representantes e formará a segunda maior bancada da Câmara dos Deputados. O PL terá a maior representação, com 121 das 513 cadeiras.

O partido apresenta os novos mandatos como parte da resistência progressista e afirma que terá entre suas prioridades a defesa da democracia, dos direitos sociais e das políticas de redução das desigualdades.

A agenda anunciada pelo PT inclui a valorização do salário mínimo, a geração de emprego e renda, o fortalecimento dos serviços públicos, o combate ao racismo e a promoção dos direitos das mulheres. A aprovação dessas propostas, entretanto, dependerá de articulação parlamentar e diálogo com outras legendas diante da nova correlação de forças no Congresso.

Levantamento publicado pela Fundação Perseu Abramo, por meio da Focus Brasil, aponta crescimento da presença de mulheres e pessoas negras nas bancadas petistas eleitas para a próxima legislatura.

Mulheres ampliam presença nas bancadas do PT

O número de deputadas federais eleitas pelo PT passou de 18, em 2022, para 25 em 2026, crescimento de 38,9%. Nas Assembleias Legislativas, a bancada feminina do partido aumentou de 29 para 45 parlamentares, incluindo deputadas reeleitas e novos nomes.

“É a maior bancada de mulheres eleitas na história do nosso partido”, afirmou a secretária nacional de Mulheres do PT, Mazé Morais.

Segundo a dirigente, o resultado foi construído pela organização das mulheres dentro do partido e pela reivindicação de mais recursos, estrutura e apoio político para as candidaturas femininas.

Para Mazé Morais, os novos mandatos terão como desafio elaborar políticas públicas e enfrentar as desigualdades que atingem as brasileiras, especialmente nas áreas de trabalho, renda, saúde, educação, segurança e participação política.

No Senado, Marília Campos, eleita por Minas Gerais, e Samanda Alves, eleita pelo Rio Grande do Norte, se juntarão a Teresa Leitão, representante de Pernambuco cujo mandato prossegue.

Na Câmara dos Deputados, a renovação da bancada feminina petista inclui nomes como Anielle Franco e Nísia Trindade, eleitas pelo Rio de Janeiro; Ana Elisa, por Minas Gerais; e Luna Zarattini, por São Paulo.

A expectativa do partido é que o aumento da representação fortaleça a atuação parlamentar nas áreas de saúde, educação, igualdade racial, proteção às mulheres e garantia de direitos sociais.

Bancada negra chega a 14 parlamentares na Câmara

De acordo com o levantamento divulgado pela Focus Brasil, a bancada negra do PT na Câmara dos Deputados reunirá 14 parlamentares. Nove foram reeleitos e cinco chegam pela primeira vez à próxima legislatura.

Entre os novos integrantes estão Renato Freitas, eleito pelo Paraná; Anielle Franco, pelo Rio de Janeiro; e Ana Elisa, por Minas Gerais. Dandara Tonantzin, também de Minas, conquistou a reeleição. Ela preside a Frente Parlamentar Antirracista do Congresso Nacional.

Nos Legislativos estaduais, o PT elegeu 41 parlamentares negros. Entre os nomes destacados pelo partido estão Vilma Reis, da Bahia; Dani Portela, de Pernambuco; Duda Hidalgo, de São Paulo; e Divaneide Basílio, do Rio Grande do Norte.

Para o secretário nacional de Combate ao Racismo do PT, Tiago Soares, a eleição de candidaturas negras representa o rompimento de barreiras históricas que dificultam o acesso dessa parcela da população aos espaços institucionais de decisão.

Segundo o dirigente, a próxima etapa exigirá organização, formação política e diálogo permanente com os movimentos sociais, de modo que a representação eleitoral se transforme em políticas públicas de promoção da igualdade racial.

Desafio será construir maioria

Apesar do crescimento do PT e da Federação Brasil da Esperança, a próxima Câmara terá maioria formada por partidos de direita e centro-direita. O PL aumentou sua bancada de 98 para 121 deputados e será a maior força isolada da Casa.

Levantamento sobre a composição da Câmara aponta que partidos identificados com a direita elegeram aproximadamente 303 deputados, o equivalente a 59% das cadeiras. As legendas classificadas como de esquerda somam cerca de 124 representantes, enquanto o centro terá aproximadamente 86.

Nesse cenário, a Federação Brasil da Esperança precisará formar alianças para aprovar projetos de lei e, principalmente, propostas de emenda à Constituição, que exigem pelo menos 308 votos favoráveis em dois turnos de votação.

A nova configuração também terá influência na definição das presidências das comissões, na distribuição das relatorias, no controle do orçamento e na relação entre o futuro governo e o Congresso.

Para o PT, ampliar a presença de mulheres e parlamentares negros é uma etapa importante, mas insuficiente sem articulação legislativa e participação social. O partido defende que os novos mandatos mantenham diálogo permanente com movimentos populares e transformem a representação conquistada nas urnas em medidas concretas de combate ao racismo, à desigualdade e à violência contra as mulheres.

Fonte: Focus Brasil/Fundação Perseu Abramo, com informações da apuração eleitoral.

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